Alessandra Alves

Thursday, May 08, 2008

Mosca


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Na terça-feira, logo cedo, abri o Blog do Ico e li a notícia sobre a falência da Super Aguri. Na hora, duas coisas me chamaram a atenção: o furo do Ico e o futuro do piloto Takuma Sato.

Furo do Ico, sim senhor. O blog dele anunciou o fim da equipe antes de qualquer site da imprensa brasileira. Vantagens de quem mora na Europa e se liga desde cedo nas notícias.

Juro que, na mesma hora, pensei sobre o futuro de Takuma Sato. Ora, se a Honda criou uma equipe satélite só para empregar o piloto japonês, é lógico pensar que ele não vai ficar a pé, assim, de uma hora para a outra. É provável que a Honda o absorva.

"Será que ele pega o lugar do Rubinho?", pensei.

Pensei mas não escrevi, comi mosca. Ontem, um site italiano levantou essa bola.

Se o simpático Sato tomar o lugar do brasileiro, que seja pelo menos depois do GP do Canadá. Rubens acha que bate o recorde de participações na Fórmula 1 no próximo domingo, superando o italiano Riccardo Patrese. Ele acha, mas muita gente contesta, dizendo que faltariam pelo menos duas provas para que esse recorde fosse realmente batido. Tomara que seja depois do Canadá, para se cumprirem essas tais duas provas, porque vai ser dose aturar mais essa polêmica na carreira de Barrichello...

Saturday, May 03, 2008

Para gostar de ler - Contos de Gabriel García Márquez


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Faz tempo que não escrevo sobre livros, por isso resolvi escrever sobre dois de uma só vez. Recentemente, li dois livros de contos do colombiano Gabriel García Márquez, provavelmente meu escritor preferido.

Desde que li "Cem anos de solidão", em 1984, sempre procurei ler tudo que pudesse desse autor. Até que, há alguns meses, percebi que estavam faltando pouquíssimos livros dele para que eu completasse toda a obra literária de García Márquez. Sempre que vou a uma livraria, dou uma vasculhada na prateleira de autores latino-americanos, para ver se tem algum desses que me faltam. Foi dessa forma que li, em 2008, as coletâneas "Os funerais da Mamãe Grande" e "Olhos de cão azul", exatamente nesta ordem.

É muito interessante ler o "jovem" García Márquez depois de já ter lido o autor consagrado, ganhador do Nobel de Literatura em 1982. Cito o jovem porque os dois livros de contos trazem histórias escritas no início da carreira, antes do sucesso de "Cem anos de solidão". E ambos funcionam como uma espécie de rascunho do que seria a grande obra do autor. Seja pelos temas, pelas referências à fictícia Macondo, onde se passa a trama de "Cem anos", seja pelos toques do chamado realismo fantástico, seja, ainda, pelo estilo em formação do autor, já com suas metáforas e com seu ritmo de texto, que alterna frases longas, algo rebuscadas, com outras, curtíssimas, com o poder de navalhas ultra-afiadas.

"Olhos de cão azul" reúne contos escritos entre 1947 e 1955, em publicações diversas. A coletânea, como livro, só saiu em 1974. Os contos têm em comum o mesmo tema - a morte, tratada de formas diversas. O conto de abertura, "A terceira renúncia", remete a um morto consciente do próprio corpo inerte e da própria morte. Faz lembrar o célebre "Pedro Páramo", conto de Juan Rulfo, tido como grande influenciador de García Márquez e de grande parte da geração de escritores latino-americanos florescida nas décadas de 1950 e 1960.

Está nesse livro, também, o inquietante e opressivo "Isabel vendo chover em Macondo", conto que antecipa a atmosfera de uma importante passagem de "Cem anos de solidão". Meu conto preferido, nesta obra, foi "Nabo, o negro que fez esperar os anjos", menos pela temática, mais pelo incrível parágrafo final, um looping de uma página e meia e um fôlego só, revelador do grande narrador que viria a ser García Márquez nos anos seguintes.

"Os funerais da Mamãe Grande", lançado em 1962, também traz alusões a Macondo. É na fictícia cidade criada por García Márquez que se desenrola o conto que dá nome à coletânea. O colombiano, em várias entrevistas, citou Érico Veríssimo e sua obra "O tempo e o vento" como influência importante de "Cem anos de solidão". Neste "Mamãe Grande", no entanto, há um quê de Jorge Amado, com um universo povoado por representantes de uma casta aristocrática opressora e gente do povo, fartamente oprimida. Deste livro, meu preferido é "Nesta terra não há ladrões", a história de um roubo e a luta de um homem com sua consciência e com sua miséria, para tentar desfazer-se da culpa e das provas de seu crime.

Dizer que recomendo a leitura de García Márquez é redundância. Serei, portanto, redundante: se puder, leia "Os funerais da Mamãe Grande" e "Olhos de cão azul". Se você já leu ou se quiser comentar qualquer coisa sobre as obras e seu autor, o espaço, como sempre, está aberto.

Monday, April 28, 2008

Homens de gelo

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Heikki Kovalainen e Kimi Raikkonen, os dois protagonistas do GP da Espanha, são o tema principal da minha coluna, no GPTotal.

Ao final, um tema para o debate: a TV precisa mesmo mostrar TUDO?

E, aproveitando, para quem ouviu a transmissão pela Rádio Bandeirantes/ Band News FM: o canal está aberto para comentários.

Uma ótima semana!

Thursday, April 24, 2008

Aperta que ele cria?

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No post sobre o "Clube da Esquina", um comentário do leitor Mauro Chazanas me chamou muito a atenção. Tanto que tomo as palavras dele emprestadas e lanço a discussão: será que os grandes autores da era de ouro da MPB criaram mais e melhor durante a ditadura? O fim do regime autoritário, coincidindo com uma fase menor na carreira desses artistas, estaria diretamente ligado à baixa criatividade?

As palavras do Mauro, literalmente:

"O assunto é: até que ponto o período de maior criatividade da MPB - pra ficar só na MPB - "dependeu" da existência da ditadura militar pra florescer. Deixando bem claro, nem quero correr riscos por isso quero evitar equívocos, não estou dizendo que a ditadura ajudou de qualquer forma os artistas, pelo contrário, todo mundo sabe ou melhor, todo mundo sabe o que veio à público sobre o que a ditadura fez, também em relação à àrte - "Maninha", do Chico: "(...) pois hoje só dá erva-daninha no chão que ele pisou(...)". Estou me referindo à contradição de, num regime onde classificá-lo de "autoritário" seria ser suave, brotar tanta beleza, riqueza.
E de onde vêm os fatos para se chegar a esta pergunta? Por exemplo, dois ítens: um, pela comparação entre o número de compositores e letristas - de novo, lembrando que estou só falando de MPB - surgidos na época, de tantas e tantas canções e o número de novos artistas (que permaneceram ou permanecerão como eles, como Chico, Milton, e os mais)surgidos depois da ditadura; dois, pela produção daqueles mesmos artistas no pós-ditadura. Dá, acho - e aí talvez haja polêmica - pra separar a obra do Milton, do Chico, do Caetano, do Gil e tantas e tantos entre o que criaram na ditadura e o que veio após seu fim. Fizeram muita coisa boa depois sim, mas em menor número do que eles mesmos fizeram antes.

Mais uma coisa pra não deixar dúvidas, não estou querendo dizer com isto que a ditadura teve lá seus méritos. Não reconheço nela mérito algum. Não teve um dia sequer de minha vida escolar, do primário até meu comêço de USP que não fosse sob o tacão daquela turma. Não tenho saudades. Todas as canções jamais feitas não valem o que eles fizeram."

Eu tenho uma opinião sobre este tema, e vou deixá-la para a caixa de comentários, debatendo junto com vocês. Vamos nessa?

Tuesday, April 22, 2008

Gatíssimo Jenson!

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Nas duas últimas transmissões da BandNews-Rádio Bandeirantes, o locutor Odinei Edson me colocou em uma saia-justa, perguntando sobre minhas preferências estéticas em relação aos pilotos. Na primeira vez, desconversei, dizendo apenas que sim, achava Kimi Raikkonen bonitinho.

Na segunda, ele não se limitou a colher minha opinião sobre os três rapazes do pódio. Insistiu para que eu dissesse quem é o mais belo piloto da Fórmula 1 atual. Fiz um gracejo, que me deixou em maus lençóis com o piloto Cacá Bueno, titular da Stock Car e também comentarista do time. Eu disse que beleza não devia ser o forte dos pilotos, ou eles não procurariam uma profissão na qual são obrigados a esconder o rosto. Tive que desdizer na hora, para não ficar mais constrangida.

Acabei revelando um nome - Jenson Button.

O companheiro de Rubens Barrichello aproveitou o fim de semana de folga e foi fazer um triatlo. Castigou. Além de me encantar com seus dotes de atleta - eu, uma esforçada atleta amadora - ainda me aparece com esses ombros, esses bícepes... Com todo respeito, que Danica, o quê!

Monday, April 21, 2008

De novo, na esquina, os homens estão



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Eu morava no nono andar de um edifício e tinha um canto preferido no apartamento - uma sala toda envidraçada onde meus pais colocaram nosso aparelho de som. A sala tinha um desnível em relação ao resto do imóvel. Chegava-se a ela por uma escadinha de três degraus. No mais baixo deles, eu colocava minha máquina de escrever Olivetti Lettera e ficava, sentada no chão, datilografando meus trabalhos de escola, as cartas que escrevia para o Programa do Zuza, minhas críticas musicais e literárias, minhas análises de futebol e Fórmula 1. Aquela sala foi, por assim dizer, minha primeira redação.

Não por acaso, sentava ao lado do aparelho de som e, enquanto escrevia, pilotava a música ambiente. Às vezes, as costas doíam, uma das pernas "dormia" e eu me levantava, para esticar o corpo. Quase sempre, sentava um pouco no sofá, no lado direito da sala, e ficava olhando pela janela, que dava vista para a Serra da Cantareira. É impossível lembrar dessas cenas e não associá-las à música de Milton Nascimento.

Talvez - e mais obviamente - porque eu escutava muito Milton naqueles tempos. Eu já era admiradora do falso-mineiro quando conheci meu grande amigo Gê Tock, em 1987. Ele, admirador e profundo conhecedor da obra do compositor, acabou me influenciando muito a aprofundar o gosto por Milton. Mas, talvez, eu também associe aquelas imagens à música dele pela visão que sugeria. Ao descansar os olhos na paisagem urbana limítrofe com a serra, eu inconscientemente me transportava para Minas e suas montanhas. Aquela visão da montanha paulista era a minha Minas Gerais.

Os dois álbuns "Clube da Esquina" eram dos mais tocados naquele cenário. Em LPs, naturalmente. De cara, a música de Milton Nascimento e Lô Borges, em parcerias diversas, sempre me sugeriu aquela melancolia característica de sua obra. E esse talvez fosse um fator adicional para eu ouvi-la tanto. Com 16, 17 anos, auge da adolesência e da montanha-russa emocional, sempre convém um pouco de melancolia.



Nesse período, não me limitei aos dois Clubes. Ouvia muito, também, os LPs "Caçador de Mim", "Anima", também um disco ao vivo, gravado por Milton no Palácio das Convenções do Anhembi, em 1983, "Encontros e Despedidas" e o menos brilhante "Yauaretê". Os dois Clubes, no entanto, sempre sobressaíram para mim como obras fundamentais.

A começar pelo conceito de criação coletiva, expresso tanto na enorme variedade de parcerias quanto nas próprias fotos do encarte, mostrando estúdios cheios de gente, músicos, mulheres, crianças, uma atmosfera hipponga totalmente anos 70. Aquilo não era só um disco - ou dois, pois os dois Clubes são álbuns duplos. Aquilo era o documento de uma época.

Outra sensação muito forte que sempre me marcou foi a mistura de elementos e influências. Música sacra, música cigana, rock, com inegáveis toques de Beatles, música latino-americana e até samba. Como definir a música do Clube? Era tudo isso, amalgamado em uma obra muito própria, personalíssima.

Já li algumas versões sobre a mesma confusão causada pelo termo "Clube da Esquina". Consta que um músico norte-americano desembarcou em Belo Horizonte e pediu para ser levado para a esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, em busca do mítico clube, que nunca existiu como tal, sendo apenas uma expressão que designava um grupo de amigos. (A saber, Milton e a filharada da família Borges, tendo Lô como caçula). Já li que esse músico seria o saxofonista Wayne Shorter e também o tecladista Lyle Mays. Seja quem for, o clube, como tal, nunca existiu.

A EMI lançou recentemente uma caixa com os dois CDs remasterizados, em trabalho capitaneado pelo produtor João Marcello Bôscoli. Um encarte detalhado traz as letras e muitas das fotos das gravações originais, inclusive uma na qual se vê Elis Regina ao lado de Milton e do guitarrista Natan Marques, que tocou por muitos anos na banda da cantora. Elis participou do Clube da Esquina nº 2, cantando com Milton "O que foi feito devera/O que foi feito de Vera", um magnífico duelo vocal entre duas das maiores vozes da MPB em todos os tempos.

Ouvindo os novos CDs remasterizados, algumas idéias novas se somaram às percepções cultivadas desde o tempo da sala envidraçada. São 44 músicas no pacote. Acredite se quiser: você não vai ouvir as versões de "Clube da Esquina" 1 ou 2 em nenhum dos CDs. A música Clube da Esquina, a primeira, não está gravada em nenhum desses álbuns, mas em um disco solo de Milton, anterior a ambos. A música Clube da Esquina nº 2 está no álbum Clube da Esquina, o primeiro, mas em versão vocalise, sem a letra!

Mas é provável que a percepção mais forte, advinda desse relançamento, tenha sido o caráter político dessa obra, que nunca me foi tão evidente. Menos visado pela censura que nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil, Milton não deixou de dar suas alfinetadas no sistema, e passou ileso, talvez pela sutiliza de suas colocações. Além de cantar a plenos pulmões o desejo de uma América Latina forte e unida, Milton dá voz a frases como: "outros outubros virão", de "O que foi feito devera", que pode muito bem ser ouvida como uma referência à Revolução Socialista de 12 de outubro de 1917; ou ainda "já foi lançada uma estrela, pra quem souber enxergar, pra quem quiser alcançar, e andar abraçado nela", de "Cancion por la unidad latino-americana", de Pablo Milanés, adaptada por Chico Buarque, que divide os vocais com Milton. Não deve ser referência à estrela do PT, mas a da bandeira de Cuba, à da boina do Che. De qualquer forma, ninguém na Censura percebeu, ou entendeu a referência.

Sunday, April 20, 2008

Danica!


A manchete foi a mesma em praticamente todos os portais de automobilismo, nesta manhã de domingo: Danica Patrick faz história ao vencer pela primeira vez na Indy. Primeira vez de Danica, primeira vez de uma mulher na categoria. Foi na corrida de Motegi, no Japão. E eu não vi!

A prova foi adiada em um dia, por causa da chuva que desabou sobre o circuito. A emissora que detém os direitos de transmissão da Indy para o Brasil, a Bandeirantes, preferiu manter sua programação habitual e não mostrou a corrida na noite de sábado, transferindo a prova para seu canal fechado, o BandSports. Como não tenho este canal, dancei.

Pelos relatos que li, Danica foi beneficiada pela estratégia de pit stop traçada por sua equipe. Aproveitou uma das bandeiras amarelas para reabastecer e foi orientada pela equipe para economizar combustível. A vitória, que parecia seguir fácil para Scott Dixon, aproximou-se de Danica quando o líder, e vários outros pilotos à frente dela, precisaram parar para completar seus tanques. Sobraram, na frente, Hélio Castroneves e Danica. Ela deixou para acelerar forte na última volta e ultrapassou o brasileiro. Com o segundo lugar, Helinho lidera o campeonato e Danica está em terceiro na classificação geral.

Quando voltar para a América, Danica vai aparecer em tudo quanto é programa de TV. Vai sentar no sofá do David Letterman, vai à Oprah para ouvir relatos emocionados dos pais, dos colegas, da primeira professora, deve ser procurada pelas campanhas de Hillary e Obama para declarar apoio e, se bobear, termina no palco do American Idol.

A Fórmula Indy pode não ser a categoria mais apaixonante do mundo, mas os americanos são bons nesse negócio de promoção. Danica tem valor como piloto, ou não estaria em uma das principais equipes da categoria nem teria sido capaz da vitória de hoje. Mas é certo, também, que a aposta da Indy em uma mulher dá maior visibilidade à categoria.

Não vai ser estranho se Danica chamar a atenção de alguma equipe da Fórmula 1 no futuro próximo. Pela piloto que é e pela promoção que seu nome gera. Meu coração feminista torcerá apaixonadamente para que ela seja bem sucedida. O que não é fácil, pois os pilotos que já cruzaram o Atlântico em direção à Europa, egressos do automobilismo norte-americano, não têm tido sorte nos últimos tempos. Depois de Jacques Villeneuve, campeão de 1997 na F-1, vindo da Indy, ninguém mais cruzou essa ponte com sucesso. Que Danica o faça e abra as portas para a brasileira Bia Figueiredo, que hoje disputa nos Estados Unidos a Fórmula Indy Lights.